O Blog foi criado por alunos de Cinema e RadioTV da Fundação Armando Álvares Penteado para a disciplina de Estética. Nesse espaço, pretendemos mostrar nossa viagem pelo imenso mercado cultural da cidade de São Paulo (e por que não do mundo?), expondo nossas visitas pessoais a exposições de arte e intervenções de rua.
domingo, 4 de setembro de 2011
RHIZOME ORIENTAL, Philippe Herbet
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO, A Arte Tumular
| Eu, Paula, dando uma de rebelde na entrada do Cemitério |
| Túmulo de Campos Salles, por Rodolfo Bernardelli |
| Mausoléu da Família Matarazzo de cima a baixo |
![]() |
| túmulo de Lidia Piza Rangel Moreira, em dois angulos diferentes, de Anônio Celso Silveira de Menezes |
terça-feira, 30 de agosto de 2011
O silêncio me contou - Carolina Krieger
Caí na exposição “O silêncio me contou” por mero acaso. O local, chamado Cartel Zero Onze (http://www.cartel011.com.br/) é um misto de loja de apetrechos de decoração e galeria. Logo na entrada funciona a área da galeria, que se resume a uma única longa parede. O que me fisgou foi justamente o título, em sua contradição escancarada e poética. Qual é, afinal, a voz do silêncio? O que se escuta quando mais nenhum som ecoa a nossa volta? Com essas perguntas em mente, não resisti em ler o texto que dá início à exposição.
Um dos vendedores da loja, que nas horas necessárias faz o papel de guia da galeria, me explicou que a artista, Carolina Krieger, costumava trabalhar na área da moda, mas que decidira abandonar tal carreira e lançar-se no mundo das artes visuais.
A exposição (a primeira da artista) é pequena: resume-se a pouco mais de doze fotografias, a maior parte delas em banco e preto. Mas tamanho nem sempre é documento e algumas obras me chamaram bastante atenção. Nestas, parece pairar um misto de tensão e poeticidade que tende a manter o expectador interessado na foto por mais tempo que do que seria normal. Há um constante uso de sombras e de granulação – que em sua combinação criam, em alguns casos, fotos esfumaçadas e com tom onírico.

Os temas das fotos são bem variados, mas um outro pequeno texto da exposição parece dar conta da linha geral que conecta as imagens: “Nas fotos de Carolina Krieger nota-se claramente a busca insaciável de dar forma ao intangível e de perdurar a fugacidade. Texturas, jogos de luz e sombras, capturam momentos de intensa delicadeza.”

Qual é, afinal, a voz do silêncio? O que se escuta quando mais nenhum som ecoa a nossa volta? Se me fosse pedido para propor uma resposta para estas perguntas que me fiz antes de ver a exposição, talvez eu arriscasse dizer que a voz do silêncio é a nossa própria voz interior, nosso pensar, nossa consciencia – é só isso que resta para escutar quando já não há nada para ouvir.
A lição que me fica é que existem mais centros de cultura em SP que valem a pena serem conhecidos do que sonha a nossa vã VEJA SP (ou qualquer outra guia de entretenimento da capital). É preciso fuçar, buscar conhecer novos lugares, pequenos e pouco conhecidos. Muitos, provavelmente, acabarão não valendo a pena. Outros, pelo contrário, serão uma daquelas surpresas boas que a vida nos reserva. É este o caso de “O silêncio me contou”.
O Silêncio Me Contou - Até sábado, dia 3 de setembro.
Cartel011( Rua Artur de Azevedo, 517, Pinheiros . De segunda-feira a sábado, das 11h às 20h. Telefone: (11) 3081-4171)
Oneness - Mariko Mori
A exposição Oneness da artista plástica japonesa Mariko Mori é um conjunto de instalações, esculturas, vídeos, fotografias e desenhos, distribuídos em 4 andares do Centro Cultural Banco do Brasil. A artista faz uma junção de elementos da cultura pop, tradição japonesa, moda, design e alta tecnologia. Para isso explora muito bem as formas e cores.
A obra que mais se destaca é a Wave UFO, uma nave espacial prateada, que faz o saguão de entrada parecer até pequeno. Nela o visitante entra, deita-se em uma espreguiçadeira, coloca eletrodos na cabeça e vê imagens transmitidas de acordo com seus impulsos cerebrais. Ao subir seus degraus frágeis de vidro têm-se a sensação de estar indo descobrir o que tem em um sótão abandonado, com cautela e delicadeza, sem saber o que se pode encontrar por lá. Ela causa um estranhamento ao primeiro olhar, assim como a exposição no geral, principalmente para os descrentes em ufologia como eu, mas a encarei com outros olhos, valorizando mais a plasticidade das obras, com todo seu colorido e abstração.
Outra obra interativa é a Oneness, que dá nome à mostra, composta por seis grandes ETs de uma borracha gelatinosa dispostos em um círculo, onde o público sente seu coração batendo com as próprias mãos, e ele imediatamente acende partes do corpo e emite sons. É uma obra com a intenção de fazer o visitante experimentar sensações novas.
Também observa-se uma escultura que mais parece a reprodução em miniatura da Wave UFO , porém é levemente transparente, aparentemente de acrílico. Fiquei algum tempo em frente à ela, novamente com a sensação de entranhamento. Segui então para outra instalação com o nome de Transcircle, que pareciam totens reunidos em círculos, cada um com iluminação de uma cor, contrastando com a sala escura, como se estivessem em um ritual. Havia uma música leve, que tranqüilizava o espectador, demostrando toda a suavidade da obra. Em outros vídeos e fotografias ouve-se também de fundo músicas com o mesmo tom tranquilizante, o que faz sempre a obra parecer delicada.
Nos vídeos, desenhos e fotografias estão muito presentes alguns elementos, como bolhas, espirais e círculos, sempre aludindo aos planetas, meteoros, espaço e ao sistema solar. Mas de vez em quando fazendo parecer células agrupadas ou até mesmo uma inseminação artificial. Uso frequente também da mistura de cores sóbrias, como o cinza ou preto, com os tons neon, principalmente o amarelo e laranja.
É definitivamente uma exposição que instiga a percepção, imaginação e sensibilidade, podendo inevitavelmente parecer confusa e estranha, até porque Mariko introduz muito da cultura japonesa em suas obras, como a cerimônia do chá, que é encenada em um dos vídeos com sua trilha sonora budista. Explora também a tecnologia avançada do Japão com representações bem futuristas. Porém ao final da visita prefiro classificar a exposição como diferente à estranha, já que gostei muito da proposta estética e inusitada da artista.
Quando: 20 de agosto até 16 de outubro
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil
Horário: terça a domingo das 9h as 21h
Quanto: gratuito
links relacionados: http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10173,1,0,1,1.bb?codigoEvento=3893
http://www.youtube.com/watch?v=OibTTT_0qkU
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Paul Ramírez Jonas: the commons/domínio público
Paul Ramírez Jonas, desde os anos 90, através de esculturas, objetos, instalações e intervenções públicas vem problematizando o conceito de território, tanto público quanto privado e as noções de identidade cultural e democracia. Com o uso da imagem do cavalo, Ramírez Jonas revisita monumentos como o do imperador romano Marco Aurélio e o Monumento a Ramos de Azevedo, mas ao mesmo tempo pelo uso da cortiça no lugar do bronze o artista acaba por “banalizar” a obra e retira dela qualquer sentido de homenagem, é como se fosse uma simples demarcação de espaço, como já diz o nome da estátua, the commons/domínio público.
Acervo Vivo: Geraldo de Barros
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Louise Bourgeois, o retorno do desejo proibido
São poucas as coisas que conseguem realmente captar a minha atenção. Porém, tem uma que, desde pequena, eu sou encantada: o Instituto Tomie Ohtake, que se sobressaía dentre os demais pelas suas cores vibrantes, em contraste com o dia nublado e chuvoso do último sábado, dia 20.
Com uma arquitetura baseada no futurismo, assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake, o Instituto abriga a exposição Louise Bourgeois, o retorno do desejo proibido, em cartaz até o dia 28 de Agosto de 2011.
escultura Arch of Hysteria
Louise Bourgeois nasceu em Paris em 1911 e foi uma das escultoras mais representativas do século XX. Com base em obras surrealistas, seu trabalho se vincula à psicoanálise, no confronto entre a morte, a angústica, o medo e a vida. Com uma obra extremamente biográfica e erotizada (passei a exposição inteira falando “Freud explica”), observa-se os traumas de sua trajetória quase como uma catarse de suas memórias.

Dentre toda a exposição, duas obras me chamaram mais a atenção. A primeira foi o quadro I’m afraid, que eu achei muito original, pois nunca tinha visto um quadro bordado antes. Ele era grande, deveria ter o tamanho de uma lousa (2,0 por 1,20 metros), em cores claras -tons de bege- além de parecer acolchoado. Nele, podemos ver seu desespero, sua angustia, sua insatisfação e, apesar de toda a coletânea da exposição mostrar tudo isso, esse quadro foi o que mais me impactou. Acredito que tenha sido porque eu a imaginei bordando, tecendo todo o seu desamparo, como se fossem traumas de sua infância, ou de seus problemas mal resolvidos. Além disso, o fato de ter sido bordado em um quadro acolchoado, lembra um travesseiro , parecendo retratar a ligação , ou falta de, entre a mãe e o filho pequeno.
I’m afraid of silence
I’m afraid of the dark
I’m afraid to fail down
I’m afraid of insomnia
I’m afraid of emptiness
Is something missing?
Yes, something is missing and always will be missing
The experience of emptiness
To miss
What are you missing?
Nothing
I’m imperfect but I’m lacking nothing
Maybe something is missing but I do not know and therefore do not suffer
Empty stomach empty house empty bottle
The falling into a vacuum signals the abandonment of the mother
LB
I’m afraid - 2009 tecido com monograma LB Bordado, montado em chassi
A outra foi uma escultura gigantesca de uma aranha e, no meio dela, uma grade com um espaço dentro, como se fosse um quarto ou uma sala íntima. Havia diversos objetos pendurados, verdadeiros bibelôs. O mais impressionante de tudo isso não foi a fartura de detalhes, algo realmente impressionante, mas o fato da “gaiola” não estar totalmente fechada, como se sempre houvesse uma possibilidade de fuga, algo recorrente em suas outras obras que possuem grades com ambientes semi-fechados.
Escultura Spider Baseado na psicoanálise de Freud, achei muito interessante o fato de ela remeter quase toda a exposição à mãe e, nessa, principalmente, mostrar como se a aranha (símbolo representativo da mãe) a aprisionasse. Fazendo uma pequena digressão, fiz uma comparação com o filme Coraline. No filme, também temos a mãe possessiva que engana a filha ao fazer comidas caseiras para ela, mas, posteriormente, revela sua verdadeira forma, a de aranha. Ao acreditar que não poderia ter sido apenas eu que fiz esse paralelo, procurei pela internet e, qual não foi a minha surpresa? Achei um site que fala sobre essa relação (http://www.threadforthought.net/tag/louise-bourgeois/). Nele, a pessoa foi além e fez um comparativo também com o fato da artista usar em suas instalações roupas tecidas manualmente, como forma de mostrar o trabalho doméstico da mulher com a intenção de cuidar e de dar carinho. Porém, ao colocá-los no meio de celas, reforça a ideia de excesso de cuidado.
Uma exposição realmente imperdível por se experimentar diversos sentimentos (em sua maioria de angústia e de opressão) todos ao mesmo tempo, em um panorama da obra de Louise, falecida em Maio de 2010. Da experiência vivida, ficou registrado a frase intrigante da artista: “A arte é uma garantia de sanidade”.
QUANDO: 8 JULHO A 28 AGOSTO 2011
ONDE: Instituto Tomie Ohtake – Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés) Pinheiros (SP)
HORÁRIO: Aberto de Terça a Domingo das 11 às 20 horas
QUANTO: Entrada gratuita ao público (estacionamento pago)
LINKS RELACIONADOS: http://www.institutotomieohtake.org.br/inicio/teinicio.htm
http://www.istoe.com.br/reportagens/134946_CORPO+EM+CATARSE
Post por Ana Carolina Prado Garrossino
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